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terça-feira, 20 de abril de 2010

QUAL A MELHOR MANEIRA DE SE ESTUDAR DANÇA DO VENTRE (Parte IV)




É SE PREOCUPAR COM INDUMENTÁRIA, ACESSÓRIOS E TALS?

Não posso dizer que isso seja uma preocupação supérfula, porque se
você não for dançar na reunião familiar do almoço de domingo, onde um xalezinho de moedas e um véu de organza já fazem bonito, mas se ai vai se apresentar num "eventozinho" (como se referiu uma despeitada a um evento beneficente do grupo de dança da minha amiga-irmã), onde no baixo terão umas 150 pessoas te assistindo é outra estória. MAS CALMA, MUITA CALMA NESSA HORA! Ainda não chegamos nessa parte. Estamos estudando ainda...

Essa questão dos acessórios vai depender muito do nível de aprendizado que você se encontra. Vamos ver se damos uma idéia básica do tudo que é necessário nos 3 estágios principais de estudos:

1. BÁSICO - No básico, primeiramente vc vai precisar de um véu de organza macia ou cristal. A medida correta é A DISTÂNCIA DOS SEUS BRAÇOS ABERTOS EM CRUZ + 1 PALMO PRA CADA LADO, e na altura A DISTÂNCIA DA PONTA DO SEU NARIZ ATÉ A 1 PALMO ABAIXO DOS SEUS JOELHOS,COM VOCÊ EM POSIÇÃO ERETA. Um xale de moedas para cintura, daqueles que fazem aquele barulhinho delicioso e que deixam uma atmosfera exótica, mas que serve pra mais do que isso. Explico:
É que quando a professora tem já uma certa bagagem, pelo barulho do xale de cintura ela sabe se tem alguma aluna realizando um movimento errado e quem é.

Em segundo plano vem o traje de dança. Pq vc não vai ficar no BE-A-BÁ o básico todo. Faz parte dos ensinos básicos as aprsentações e a interação coreográfica, e é aí que a coisa começa a ficar séria (financeiramente falando).



"A Dança do Ventre é uma arte cara. Trajes caros, acessórios caros, BOAS aulas caras. Desconheço algo que possa se chamar de 'baradim, baradim' na DV, Brima!"

Não digo isso pra desanimar ninguém... Só preparando os coraçõeszinhos encantados das nossas queridas iniciantes. Quando chegam as fases das apresentações é um susto, misturado com desânimo, com toques de ansiedade. Também são nessas horas que aparecem todas as costureiras e bordadeiras possíveis e imagináveis, cada uma cobrando um preço mais exorbitante que o outro. Saida: ROUPAS USADAS. Pessoas que desistem da dança ou que desejam trocar o figurino são excelentes alternativas pra quem não quer gastar muito nem perder a apresentação.

Por causa disso, não são raras as meninas que começam a aprender a bordar pra fazer as próprias roupas. Ótima pedida pra quem tem inclinação e sabe costurar (o que infelizmente não é meu caso... snif...).

Quando vai chegando ao final do básico, a professora geralmente começa a pedir outros acessórios. Em geral são taças, snujs e bengala e/ou bastão pra iniciação ao folclore (Said ou Taksim).

2. INTERMEDIÁRIO - Nessa fase, mais acessórios e outras cores de trajes se fazem neessários. Afinal de contas, você não quer ser conhecida como a "bailarina de uma roupa só", né? Com relação a acessórios, é geralmente que começam a entrar acessórios como a espada por exemplo. Lembra da bengala e do bastão do final do básico? Já te prepara um pouco pra espada (mas uma coisa não tem nada a ver com a outra, viu? Bengala/bastão é FOLCLORE e espada não). É a hora de aprender a usar o véu de seda. "Poutz Haiyat, a gente já não aprendeu a usar véu no básico???" Não caríssima colega, você não sabe. 1º porque o véu de seda é tão leve que parece ter vida própria, você tem que se adaptar a ele e 2º porque a organza é mais armada que a seda. Acredite, manusear um véu de organza não tem NADA A VER com o manuseio de um véu de seda. Sem contar q dançar com o véu não é só girar ao redor do corpo e ao lado. tem diversos movimentos de véus que são hipnotizantes. Se não me engano, a Lulu Sabongi tem uns 2 ou 3 DVDs didáticos só ensinando movimentos com véus.

Quanto a espada, é mais equilibrio mesmo e movimentos bonitos, que combinem sua dança com os movimentos da espada. Recomendo CLAUDIA MOPPE pra ver algumas performances. Acho ela FERÍSSIMA na espada. Começa a entrar nos estudos o "Raks al Chammadan" ou Dança do Candelabro. Resumindo, é uma combinação de movimentos diferentes e também de equilibrio e foco.


E em se falando em movimentos combinados, é no intermediário q esse verdadeiro "inferno na terra" pra umas começa. Pelo menos pra mim era... affffffffffffff. O maldito CAMELO COM SHIMMI... A maioria dos movimentos combinados tem shimmi no meio, o "tremido" que você COMEÇOU a aprender no básico, que é o shimmi simples. Tem o Shimmi de tensão, o de transferência, o de tranco... OFICINAS DE QUADRIL, ATIVAR!!! Muito importantes nesse momento, aliás, OFICINAS são um capítulo a parte, onde abordaremos com mais calma.

Começam os estudos mais profundos de ritmos, bem como o conhecimento deles e se possível, aprender a tocar um instrumento (daff, snujs ou tabla), regra de indumentária, maquiagem, etiqueta na dança, etc.

3. AVANÇADO - Embora eu não tenha tido oportunidade de chegar nesse ponto, infelizmente (assunto pra outra postagem) mas acredito q a ralação seja hard core. É aquele momento que a professora te exige meeeeeeesmo e não admite erros, principalmente de movimentos láááá do básicão.

Momento em que é hora (na minha opinião) de se mostrar ao mundo. Participar de mostras competitivas ou não (embora eu seja radicalmente contra mostras competitivas), participar de palestras e workshops adequados a sua condição de aluna do avançado. Se embasar muito em folclore e ritmos. Imperdoável a meu entender uma aluna de avançado não reconhecer, identificar e saber usar os ritmos na dança.

Entram em cena o Véu Wings, Véu wings de Seda, Véu Poi, Espada com Velas, Candelabro com taças, Véu de Seda duplo, literatura... Há até quem dance chammadan com véu, afff... é de tirar o fôlego!

Infelizmente, nessa etapa é que a aluna procura estudar a teoria, no intuito de desmistificar os zilhões de informações contraditórias sobre cultura e folclore. Pelo menos seria assim que deveria ser, mas a maioria aceita a primeira sandice que escuta e aquilo vira um dogma na cabeça da sujeita. Na verdade, como eu sempre digo, milito a idéia de que os estudos teóricos deveriam vir de berço, ou seja, desde o basicão, mas a "meleca" é que a maioria não se interessa!

"EU TENHO É QUE SABER DANÇAR E PRONTO ACABOU!" Tsc, tsc, tsc...

Aí você começa a falar sobre Oum Kathoum e a figura fica com cara de paisagem... "Ahhmmmm, ééééé.... tb gosto dela dançando..." kkkkkkkkkkkkkkk!!! Seria cômico se não fosse trágico, até bem porque, nessa fase a aluna já substitui a professora de vez em quando, se achando o SUPRA-SUMO, isso quando já não está dando aulas desde o intermediário!!! Mas deixa eu voltar pro foco, achar que a vida é bela e que o amor até existe, bem como a "doce ilusão" de que essas coisas não acontecem...

Passado o "momento protesto" (rsrsrs), nesse momento também a professora começa a preparar as alunas que ela julga estarem prontas para a etapa final. Geralmente também libera as mais preparadas a darem aulas por conta própria.

4. PROFISSIONALIZANTE - Posso abrir um parêntesis aqui? COMO, PELAMORDDEUSO, UMA CRIATURA QUE NÃO BASE NEM PRA INTERMEDIÁRIO SE METE A FAZER CURSO PROFISSIONALIZANTE? Gente, a professora tá lá! É o trabalho dela te ensinar os métodos profissionais! VOCÊ é que tem que tomar seu SIMANCOL diário e ver que você não está preparada, que é jogar dinheiro fora. Se seu camelo com shimme é um desastre, o que vocêvai fazer num curso profissionalizante? Fazer PROVA DE TÍTULOS? Isso não faz ninguém dançar bem, muito menos ser uma profissional... sinto muito!

Parêntesis fechado, nesses cursos você vai um pouco mais além do que simplesmente aprimorar dança (bom, pelo menos deveria ser assim). O estudo se foca na parte humana, na diversidade das pessoas e como lidar com uma série de dificuldades, tanto físicas quanto do psiquismo, bem como um pouco de psicologia feminina.

E por que digo "deveria ser assim"? Porque quando uma pessoa chega a níveis de se profissionalizar, ela já aprendeu QUASE tudo que deveria saber e portanto o foco de um aprendizado profissionalizante deveria se focar mais em relações humanas, fisiologia da dança, anatomia, composição coreográfica pra iniciantes, intermediários e avançados, produção, etc. (QUASE é porque na dança todos nós sabemos - as que não sabem, ficam sabendo agora - que o aprendizado NUNCA ACABA). Nesse ponto, geralmente as bailarinas já tem todos os acessórios e roupas variadas para Dança do Ventre e Dança Folclórica árabe.



O que vejo, de fora claro, é cursos profissionalizantes que ensinam movimentos de avançado, deslocamentos, expressão, ou seja TUDO AQUILO QUE A PRETENSA PROFISSIONAL JÁ DEVERIA SABER! Mas tudo que eu diga aqui é mero achismo, haja vista eu nem ter passado do intermediário.

Portanto amigos e amigas, desde o avançado pra cá, minhas palavras são a expressão das minhas idéias sobre o assunto pautado hoje. Não gostaria que ninguém as tomasse como verdade absoluta, até bem porque eu não tive essas experiências pra poder afirmar com todas as letras que É ISSO. Essa é a vantagem dos blogs. Eles são democráticos o suficiente pra você expressar aquilo que você julga correto e dentro de um certo bom-senso.

Mas não podemos nos pegar em roupas e acessórios como a melhor maneira de se aprender. Não adianta nada você colocar uma espada na mão de uma aluna com 1 mês de aulas. Nem todos os movimentos do véu ela sabe fazer, q dirá dançar com uma espada! Por isso você pode começar a estudar dança HOJE e comprar todos os acessórios AMANHÃ, que eu vou te dizer: Vais gastar demais e aproveitar de menos. Cada roupa e/ou acessório tem o seu momento certo, e eles não abalizam a dança de ninguém. Experiência própria pessoas!

Quando eu ainda tinha pretensões de me profissionalizar na intenção de ser professora e não de ser bailarina, tinha focado todo meu futuro dentro desses parâmetros, mas como eu disse antes, isso é assunto pra outra publicação.

Abraços!

2 comentários:

Mônica Haiyat Raziya Ferreira disse...

Com os agradecimentos a Adriana Belefusco e clarissebonini25 pelas imagens do curso profissionalizante realizado em 15 de agosto de 2008, no Encontro Internacional de Dança do Ventre.

nanda salima disse...

Eu acho que o professor deve acompanhar o desenvolvimento do aluno.E assim evoluir naturalmente.Cada um tem seu tempo.É difícil seguir um padrão!