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O BALADI


Existe muita polêmica e vários conceitos a respeito do Baladi. Uns chamam o Baladi de RITMO, outros de DANÇA, e dentro da dança, uns dizem se tratar de folclore egípcio. Mas afinal de contas, O QUE É O BALADI? Quem será esse “ser misterioso” cheio de tantas nominações e conceitos? Qual o mistério que envolve esse nosso amigo? É a resposta a esta e outras questões a respeito de que nos propomos nesse artigo e que de tão simples, porém tão cheio de nuances peculiares, achamos por bem criar uma página no site especialmente pra ele... Então vamos lá!

Muitos de nós sabemos o que significa a palavra BALADI: “minha terra, minha gente, meu povo”. Acontece que muitos repetem essa significação como um mantra, ou como aquela oração que aprendemos na infância, sem atentar para o real significado desse “minha terra, minha gente”. Traduzindo de uma forma mais simples e de rápido entendimento, Baladi significa POPULAR. Baladi é um estilo de vida que abrange a música, a dança e o comportamento, ou seja, qualquer coisa de origem popular.

Na dança, fazendo um paralelo com a nossa cultura, o Baladi está para o Egito assim como o pagode, o axé e o forró estão para o Brasil. A dança Baladi é uma dança pura, autêntica, de raiz, sem as influências ocidentais européias do ballet clássico e do jazz, com seus arabeskes, cambrets e meias-pontas. É uma dança de TOTAL IMPROVISO. Não se coreografa as danças Baladi.

Por ser uma dança popular, o Baladi é visto pelas pessoas da alta sociedade como uma dança e/ou  comportamento de gente “brega”, “povão”.  Hossam Ramzy foi nosso grande mentor nesses estudos, e além de todas as informações relevantes passadas em particular, deixou registrado no artigo http://www.shira.net/baladi.htm, uma história fictícia que explana de forma simples, porem direta e de facílimo entendimento, o que é a vida artística no Baladi. Como tudo oriundo da expressão popular, que conota alegria, confraternização, o Baladi é uma dança de improviso, não coreografada.

Agora segure-se na cadeira, amigo(a) leitor(a): Uma das danças Baladi é o nosso querido MELLEA LAFF. Isso mesmo que você leu! Embora alguns considerem o Mellea, ou MELAYA, uma dança folclórica, segundo o mestre Ramzy essa afirmação está incorreta. Segundo ele, “This is a traditional costume that Baladi women wear and some dance troups have adapted and created a dance using the Melaya (the black wide sheet that they wear) to make a dance that shows Baladi woemen using the Melaya and dancing”, e tal como as demais danças Baladi, não se coreograva. Eu sei que neste momento algumas pessoas devem estar ansiosas para começar a protestar e questionar minhas palavras... Direito que assiste a todos. Porém, devo lembrar que meu mentor e o da minha irmã, a bailarina, coreógrafa e professora NANDA SALIMA, Sr. Hossam Ramzy, QUE É EGIPCIO E ESPECIALISTA EM RITMOS FOLCLÓRICOS E POPULARES fez essas afirmações e nos ajudou nestes estudos. Mas creio que ninguém seja ousado o bastante pra este questionamento... Quem se atreve??? rsrsrs

De acordo com Hossam Ramzy, Baladi não é folclore, seria um “folclore urbanizado”, ou seja, é uma dança popular como já dissemos. Ela foi criada nas metrópoles como o Cairo e outras grandes cidades egípcias. Isto aconteceu depois que os agricultores e as pessoas do campo imigraram para fora das suas pequenas aldeias e lugarejos, em busca de melhores oportunidades, mas mantiveram suas origens e tudo o que lhes foi passado de geração para geração.
Diz Ramzy:

"Baladi is not a folkloric dance. It is the Urbanized Folklore that was created in the Metropolises such as Cairo, Alexandria and some of the larger cities of Egypt. This happened after the farmers and country side people immigrated out of their villages and small towns."


Aqui colocamos para você, leitor(a) amigo(a), o início do artigo que Ramzy escreveu, cujo endereço citamos acima:

To the great disappointment of the followers of Hilal School of "RAQS SHARQI" School, BALADI "IS" the solo dance of the Egyptian women.
You will never see a group choreography doing Baladi improvisation. It is just not done, while in "SHARQI", there are many, many group choreographies and as a matter of fact, when "RAQS SHARQI" started, it used many back line dancers [see "THE STARS OF EGYPT(tm)"].
Now, am I right? or am I right? or am I right? I KNOW I AM RIGHT.



Para que todos entendamos um pouco melhor essa questão das danças Baladi, tomemos por exemplo nossa própria cultura: Podemos considerar como Baladi o nosso pagode, nosso funk, nosso axé e nosso forró, por exemplo. Já as danças folclóricas são o nosso Jongo, nossa Folia de Reis, nosso Reisado, nosso Caboclinhos. Assim ficou mais simples, não é? Enfim, toda e qualquer dança egípcia de expressão popular, onde não haja um caráter folclórico, (onde lendas, costumes muitas vezes milenares se fazem presentes) É BALADI.


Curiosidades:

  • Na opinião de Hossam Ramzy, a melhor dançarina de Baladi da atualidade chama-se Lucy e das antigas a Nagwa Fouad.
  • As musicas Baladi, relatam historias de amor e também desilusões e desespero de perde-los, essas historias são chamadas de mawalis e são passadas de geração pra geração.
  • Uma dançarina Baladi sempre dança de improviso, transformando aquele momento em um momento único.
  • Como dissemos anteriormente, mas nunca é demais lembrar e reforçar, O MELAYA LAF é uma dança realizada pelas mulheres Baladi. Aonde elas se caracterizam com o Melea (véu) e incorporam a dança. Hoje em dia é vista como brega...
Lucy

Nagwa Fouad



Figurino:

A vestimenta da mulher Baladi é um vestido simples (galabya), de cor dependendo do estado civil da mulher (em breve faremos um artigo abordando esse assunto). Também são usados os tradicionais lenços na cabeça, e na dança também no quadril. Pode haver algumas variações, dependendo do local e do tipo de apresentação.

No dia a dia, embora a indumentária acompanhe esse mesmo formato, sua caracterização é mais simples.


Ritmo:

Segundo Ramzy em seu relato no artigo, se inicia com um taqsim e conforme a musica vai evoluindo ela passa pra um maqsum e depois ela volta ao taqsim para poder ter um encerramento delicado.

Tratamos esse assunto com detalhes na página sobre ritmos e não nos estenderemos por demais aqui. Para o leitor mais interessado, recomendamos ler a página RITMOS aqui mesmo no site, entrando no seguinte link:





Encerramos esse artigo com um convite: ao estudo, ao aprimoramento, e principalmente ao BOM SENSO. Muitas vezes, a preocupação com o espetáculo, o aprimoramento na dança, o compromisso com aulas, eventos e oficinas comprometem um estudo mais teórico da cultura, e isso acaba gerando os famosos “achismos” que muito empobrecem o real teor da cultura. Nunca é demais pesquisar nos lugares certos e aprender com as pessoas corretas!

Poderíamos neste momento citar “N” sites sérios, de pessoas e instituições competentes, mas acreditamos que as melhores referências e as mais comprometidas já estão aqui citadas... Hossam Ramzy, Mahmoud Reda, Fifi Abdo... Não tenham medo de recorrerem aos grandes mestres! Eles são profissionais de 5ª grandeza, mas não são inatingíveis! Muito pelo contrário! Todas as vezes que recorremos a eles para aprender mais, confirmar informações e poder repassa-las com fidelidade e correção, fomos prontamente respondidos e com alegria da parte deles. Isso é maravilhoso e nos anima a perguntar mais, saber mais.

5 comentários:

Deise...e ponto final. disse...

Muito esclarecedor. Tomei um susto quando li a respeito do melea! Adorei HR.

HILDA HURRICANE disse...

Muito bom todas as informações e o conhecimento do Ramzy é respeitável, um profissional respeitável. Eu amo o Ramzy de paixão e as músicas dele tem arranjos maravilhosos.

Haiyat Raziya disse...

Obrigada meninas! Bjim!

Mirian Najma disse...

Habibas está linda esta postagem! Parabéns a esta e a de ritmos. Muito didáticas e devem ser guardadas como compêndio de estudos precioso. Salam

Haiyat Raziya disse...

Meninas, não deixem de conferir sempre a página. Ainda tem coisas interessantes sobre a maneira de vida e comportamento Baladi. Estaremos sempre acrescentando coisas novas, portanto, voltem sempre aqui, OK?