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RITMOS

Como um assunto importante e imutável, resolvi tratar dele em uma página especial, onde servirá de índice de consulta, tira dúvidas e aprimoramento nesse assunto tão essencial pra uma bailarina q se preza.

Eu abri esse parêntesis no tópico pra chamar a atenção de uma coisa q julgo bastante pertinente ao correto entendimento do universo dos ritmos, q é O RITMO LIBANÊS e O RITMO ÁRABE.

Segundo VITOR ABUD HIAR, em sua obra CURSO PRÁTICO DE TABLA ÁRABE, Muitas pessoas utilizam a expressão "árabe" sem contudo analisar o sentido amplo q isso representa.

Quando falamos em ritmos árabes, estamos nos referindo à TODOS OS RITMOS DO MUNDO ÁRABE, ou seja, os ritmos gerais e específicos de todos os países que compôe o mundo árabe: Líbano, Síria, Egito, Iraque, Líbia, Mauritânia, Arábia Saudita, Palestina, Etiópia, Jordânia, Sudão, Tunísia, Marrocos, Yêmem, Kuweit, Argélia, Eritréia, Somália, Omã, Emirados Árabes Unidos, Qatar e Bahein.
Os ritmos árabes são muito vastos e seria muito difícil conhecê-los em sua totalidade. Vale lembrar dos ritmos específicos de cada país árabe (ex.: NAWWARI - LÍBANO). Dessa forma, seria conveniente especificarmos o estudo ritmico como: ritmo libanês, ritmo egipcio, ritmo saudita, etc.

Dessa forma temos:

1. RITMOS ÁRABES = Ritmos de todas as nações árabes, q são comuns e específicos.
2. RITMOS LIBANESES, EGIPCIOS, ETC. = Ritmos comuns, mais específicos dos países mencionados.

Nosso estudo tem como objetivo os ritmos LIBANESES, ou seja, os ritmos comuns e os específicos desse país. É sempre importante termos em mente a divisão das esferas presentes nos ritmos árabes.

Compasso do Ritmo Libanês

O compasso é a medida de tempo de um ritmo. É dentro do compasso que é construido o ritmo e suas possíveis variações.

Sem compasso definido não existe ritmo, consequentemente não existe dança.

Primeiro, vamos explicar o q significa uma FRASE RITMICA. Frase é a extensão de batidas (tempo) de um ritmo, quando executado uma única vez.

* FRASE RITMICA DO BALADI (2 frases)

Dum Dum takaTa Dum takaTa taka | Dum Dum takaTa Dum takaTa taka

(primeira frase) .............................. (Segunda frase)


Os compassos tb recebem uma classificação, de acordo com seu nr de batidas, mas não abordaremos aqui esse assunto, por se tratar muito especificamente pra músicos. Poderemos tratar desse assunto em partucular em um tópico específico.

Observe agora os ritmos abaixo e, ao lado, o seu respectivo compasso musical:

RITMO BALADI - Compasso 4/4
RITMO SAAIDI - Compasso 4/4
RITMO AYUBB - Compasso 2/4

4/4 significa q, nesse ritmo, a cada compasso terá 4 tempos (batidas)
2/4 Significa q, nesse ritmo, a cada compasso terá 2 tempos (batidas)
8/4 Significa q, nesse ritmo, a cada compasso terá 8 tempos (batidas)

A grande parte dos ritmos libaneses adotam o sistema ?/4

Raramente iremos ver 4/8, 3/16 e assim por diante. para título de curiosidade, a diferença sonora rítmica de um 4/4 e 4/8 é praticamente imperceptível, na opinião de diversos músicos percussionistas. Nesse estudo, daremos como exemplo o ritmo KARSILAMA, cujo compasso é 9/8.

A partir daki, daremos uma ênfase especial a cada um deles, em posts específicos e, se der, com vídeos explicativos.

Embora o foco de nossa comunidade é DANÇA, é IMPRESCINDÍVEL q a bailarina tenha um conhecimento importante sobre ritmos, tempos, compassos, frases ritmicas, pq é uma ferramenta primordial pra construção de solos de percussão, coreografias, escolha das danças pertinentes a cada ritmo e tb nas IMPROVISAÇÕES.

Continuamos os estudos dos demais ritmos, e abordarei a parte os tipos de danças adequados a cada um deles.

  • AL FALLAHI
A palavra Fallahi significa algo criado por um Fallahin - fazendeiros egípcios, que utilizavam este ritmo 2/4 nas suas canções de celebração. Geralmente é tocado duas vezes mais rápido que o Maqsoum, ou seja, o fallahi nada mais é do que um Maqsoum acelerado.

Curiosamente, esse ritmo é muito frequente no Alto Egito. O fallahi é uma versão popular e é utilizado frequentemente em danças típicas.


COMPASSO 2/4

DUMtákátáDUMtákátá 

 






FONTES:

www.libanoshow.com
Curso Prático de Tabla Árabe 2004 - Vitor Abud Hiar
http://www.worldbellydance.com/arabic-rhythms.htm

  • RITMO AL ZAFFA

    Semelhante a uma marcha, o Zaffa é um ritmo bastante executado nos paises Norte Africanos (região do Saara) principalmente no Egito. Característicamente, sua forma simples dá a possibilidade de se extrair inúmeras variações.

    É importante ressaltar que ao final de cada período executado, deve-se fazer uma pequena pausa: 

    ZAFFA 8/4

    DUM tákátá tá DUM tá tá (pausa)

    Essa pausa é característica marcante em tal ritmo, não podendo portanto ser suprimida. Existe a possibilidade de se reunir dois períodos, adicionando ao intervalo uma batida "tá", porém no final, a pausa é imprescindível. 

    DUM tákátá tá DUM tá tá tá DUM tákátá tá DUM tá tá (pausa)

       




Na cultura árabe, o Zaffa (árabe: زفة), ou marcha nupcial, é um cortejo musical de bendir tambores, gaitas, cornetas, dançarinas do ventre e homens carregando espadas flamejantes. Este anuncia que o casamento está prestes a começar. Esta é uma tradição antiga, possivelmente anterior Islam



AYUBB / ZAAR


Ritmo de estrutura bastante simplória, utilizada geralmente como ritmo introdutório ao solo de tabla árabe. Algumas curiosidades envolvem tal ritmo, como por exemplo a fonte em que fora inspirado.





Acredita-se que o ayubb é a representação percussiva do movimento do camelo ou do dromedário. É dessa forma que popularmente é conhecido como "ritmo do camelo".





COMPASSO 2/4

DUM tákáDUM Tá...

DUM káDUM Tá...



BAYOU


Ritmo similar ao ayubb, possuindo compasso 2/4. Bayou é um ritmo com o mesmo padrão de tempo, mas tem um DUM duplo e normalmente é tocado de forma mais lenta - é muitas vezes utilizado em solos de tabla na dança do ventre.

DUM DUMDUM Tá...


Os links a seguir são uma demonstração em som MIDI do ritmo:


http://www.khafif.com/rhy/rhygen.cgi?rhythm=D--DD-T-&title=bayou-2&back=rhythm.html%23bayou-2

http://www.khafif.com/rhy/rhygen.cgi?rhythm=D-kDD-S-&title=bayou-3&back=rhythm.html%23bayou-3



MAQSOUM E O BALADI


NOTA DA AUTORA: Quem sou eu pra contestar o Mestre Hiar! Uma simples estudante... Mas pelas pesquisas que realizei ao longo desses quase 4 anos de Cultura Árabe, entre dança e teoria, aprendi e tive oportunidade de ver diversos artigos colocando que BALADI NÃO É RITMO. Baladi é uma denominação, q significa "minha terra", "minha gente", ou seja, toda expressão de cultura popular. (nosso samba p.ex., é Baladi, mas o ritmo é SAMBA, assim como Forró, Pagode, etc. Não confundir com FOLCLORE - Caboclinhos, Folia de Reis, etc.). Assim aprendi e pude ver em estudos...



































































Em respeito aos conhecimentos do Mestre Hiar e tb dando o benefício da dúvida aos meus parcos conhecimentos, vale o escrito na obra CURSO PRÁTICO DE TABLA ÁRABE.




































































Nós tínhamos um tópico aqui na comunidade sobre o assunto, porém como tive um perfil deletado pelo Orkut, não sei se ele ainda existe. Caso exista, darei segmento a ele, em paralelo com esse estudo e pesquisar mais fontes. Se não, reabro o tópico, dando seguimento em paralelo dada a sua importância.

De todos os ritmos, o Baladi é sem dúvida o mais comum e o mais conhecido. Trata-se da versão lenta do Maqsoum (versão folclórica, ou seja, popular do Maqsoum), apresentando caracteristicamente dois DUM's em sua inicial. Maqsoum e Baladi possuem relação bastante intrínseca, assim como o ritmo Fallahi (já visto). Baladi significa "minha terra" e é conhecido como "pequeno masmoudi", uma vez que sua versão extensa constitui-se no denominado ritmo MASMOUDI SAGHIR.

Caberia uma outra obra apostilada para falarmos apenas do ritmo Maqsoum, devido a sua monumental importância na música árabe percussiva. O Maqsoum, o Baladi, o Fallahi e o Walking Maqsoum (versão enxuta do Maqsoum) e sua versão aumentada, o Masmoudi Saghir, possuem compasso 4/4.


(Maqsoum)


NOTAÇÃO GRÁFICA DO MAQSOUM

DUM tákáTá DUM káTá táká...

NOTAÇÃO GRÁFICA DO BALADI

DUM DUM tákáTá DUM tákáTá táká...


(Baladi)

NOTAÇÃO GRÁFICA DO BALADI (CLÁSSICA EGIPCIA)

DUM DUM ká KÁ DUM ká KÁ táká... 




Segundo a membro da Comunidade do Orkut MÚSICA ÁRABE & DANÇA DO VENTRE (http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=1863615), PRISCILA J (http://www.orkut.com.br/Main#Profile?uid=8224211877668434330), o melhor exemplo de dança baladi seria este vídeo da bailarina Reyhan:




Entretanto, conforme contribuição no tópico (http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs?cmm=1863615&tid=2579182920625880512&na=4&nst=1256&nid=1863615-2579182920625880512-5496002102879653071) da membro DEISE ALIKA (http://www.orkut.com.br/Main#Profile?uid=2417629803713169664), segundo Hossam Ramzy em um de seus artigos, o melhor exemplo de dança baladi no Egito é LADY NAGWA (acredita a autora do post que Ramzy refira-se a bailarina NAGWA FOUAD):




Em nota no mesmo tópico já citado, fiz a seguinte observação:
"Qdo posto um vídeo na comunidade de estudos, o propósito não é "declarar" sobre quem é a melhor bailarina ou não. Pra q vc tenha uma idéia, eu analiso até a música q a pessoa está dançando! Isso pq em se tratando de ESTUDOS, não vale tietagem. A imparcialidade é uma obrigação e o cuidado em vc citar um vídeo como exemplo, respeitando o dito na sua postagem é fundamental. Vai ser normal aparecerem bailarinas de fora do "jet-set"."
Isto se dá em função das criticas recebidas pela membro Priscila ao meu vídeo de exemplo na comunidade ESTUDOS DE DANÇA DO VENTRE / TRIBAL, da bailarina AZZA



Fica registrada as observações.

O tema BALADI será mais minuciosamente tratado aparte. Dada a diversidade de teses e instruções teóricas sobre, faremos uma busca mais suscinta. Por hora, enquanto conhecimento voltado a dança, temos material para discussões.



KARATCHI


Curiosamente o Karatchi é um ritmo que de início já nos mostra sua característica marcante. Inicia-se com um "Tá" (batida aguda) e não com um "DUM" (batida grave), como os demais ritmos até então abordados. Sua execução resume-se em uma sequência de 5 batidas usando alternativamente as mãos e finalizando na 6ª batida com o "DUM".




NOTAÇÃO GRÁFICA DO KARATCHI (compasso 2/4)

TákátákáTá DUM...


O Karatchi é utilizado na música egípcia moderna e, por vezes alternados com ritmos similares, como parte de uma canção. Hossam Ramzy diz de Karatchi: "Da palavra" Karatchi 'você pode dizer que o ritmo próximo não é egípcio. Também é muito incomum, pois começa com um TAK, que é o triplo bater um pouco do que o DOM, que é o baixo ritmo . No entanto, é amplamente utilizado na música egípcia e música norte-Africano. "
































































SAIDI

O Saidi, derivado da essência do Maqsoum, é reconhecidamente bastante similar ao baladi e amplamente utilizado como ritmo base da execução de determinadas danças folclóricas árabes como a Dança da Bengala e a Dança do Bastão (Raks al Assaya). De sua versão simplificada é possível se extrair inúmeras variações.





NOTAÇÃO GRÁFICA DO SAIDI

DUM Tá tákáDUM DUM tákáTá táká...

DUM Tá tákáDUMDUMDUM tákáTá táká...
 (3 DUMs)

DUMkáTákátákáDUMkáDUMkátákáTákátáká... (alternada)





O Saidi é outro ritmo da família maqsum. Ele é feito por meio de duplicação da DUM. Tem um sabor diferente de preenchimento e acento, é popular no Alto Egito (lembre-se "alto" O Egito está no sul). É semelhante ao baladii, tocado geralmente rápida, positiva e poderosamente. É tradicionalmente utilizado para a Tahtib (ritual de dança masculina do bastão), bem como a dança do ventre (em particular a Raks al Assaya - que é parcialmente uma versão feminina da dança masculina - Já visto). O ritmo chamado de "Ghawazee" uma vez que estas formas de dança tem um estilo particular de dança do ventre, populares entre as Ghawazee egípcias. Também pode ser chamado de "maqluub baladii".

Note que, embora o ritmo teoricamente tem um DUM no início, após o ciclo inicial do ritmo que vencê-lo é muitas vezes tocado como uma alternativa Tá. Isso tende a arrastar o Tá segundo o ritmo anterior e enfatizar a parte duplo-Dum.





ATENÇÃO: Muitos confundem, na execução, o ritmo Saidi com o Maqsoum e o Baladi. É preciso ressaltar que cada ritmo possui a sua essência interpretativa específica.

























































Cabe então muito estudo e adestrar o ouvido ao correto reconhecimento dentro da melodia.







TSIFTETELI

Existem muitas controvérsias à respeito da devida origem desse ritmo. Alguns acreditam que seja originário da Turquia, principalmente pela etmologia da expressão. Outros porém acreditam que o Tsifteteli (ou ciftetelli) advém da antiga Grécia. De fato, essas contradições são perfeitamente normais, uma vez que ritmos grego e turco muito se confundem através do tempo.




Obs: Em virtude de não ter encontrado um vídeo exclusivo sobre esse ritmo, usei este de Raquy e Genna, que tem vários outros ritmos, por se tratar do melhor exemplo que atende ao dito sobre.


Trata-se portanto de um ritmo bastante complexo, deixando o percussionista livre para apresentar inúmeras variações.

É usado primordialmente no campo da música árabe, para acompanhar solos instrumentais de taksim (improvisação) de instrumentos como o alaúde, kanun, violino, mejwiz, etc.





Se você tomar este whada e terminar com outro segmento 4 batida comum (fazendo um 8), você tem um outro ritmo, ciftitelli , que é considerado um ritmo turco e grego. É provavelmente o nome do instrumento turco que tem cordas afinadas uma oitava parte.

É, na sua base (se você observar atentamente), semelhante a um maqsum. Normalmente é cheio como um ritmo de 8 tempos e tem uma sensação muito diferente. É comum em dança do ventre turca (entre outras) - normalmente é tocar moderadamente, lentamente e de preferência com bastante espaço. Percussionistas tendem a se divertir no final de do ritmo em diversas, e por vezes inesperadas formas. Às vezes é usado para acompanhar um taksim (improvisação melódica). Alguns percussionistas (equivocadamente) chamam o ritmo "taa-qa Siim". É muito confuso porque muito similar a palavra árabe "Taq-sim" significa "cisão" ou "dividido" e pode ser usado para se referir geralmente a "maqsum".

Os egípcios tendem a tocar Ciftetelli na versão mais simples do que você poderia encontrar na Turquia e chamá-lo "taksim whada" ou talvez "whada kibir".

Ideal para Dança da Espada, solos, Tacinhas, Tribal Fusion e Candelabro.





NOTAÇÃO GRÁFICA DO RITMO TSIFTETELI (compasso 8/4)

DUM tákátá tá tákáDUM tá ká DUM DUM tá...

DUM káKÁ DUMKÁ DUM DUM ká...

DUM kákátákátá kákátákátá ká DUM DUM TÁ (estilo Fuad Haidamus)



O BOLERO E A RHUMBA


Devido a grande semelhança que há entre esses dois ritmos, trataremos de ambos em um mesmo tópico.

A Rhumba é caracteristicamente executada de forma mais rápida que o Bolero, pois sua variação base apresenta exatos nove toques divididos em intervalos curtos, enquanto que a do Bolero, apresenta doze toque em intervalos mais longos, como podemos observar:


Notação Gráfica do Bolero ( compasso 4/4 )

Dum kákáTá kákáTákáTákáDum Ká






Notação Gráfica da Rumba/Rhumba 2/4


Dum tákátá Ká Tá Ká Dum ká








ZAFFA


Semelhantemente a uma marcha, o Zaffa é um ritmo batante executado nos países do norte africano (Saara) principalmente no Egito. Caracteristamente sua forma simples, da a possibilidade de se extrair inúmeras variações É importante ressaltar que ao final de cada período executado, deve-se fazer uma pequena pausa, observe:




Notação Gráfica do Zaffa 8/4


DUM tákátá tá DUM tá tá (pausa)






Essa pausa é uma caracteristica marcante em tal ritmo
não podendo portando ser suprida. Existe a possibilidade de se unir dois
perídos, adicionando ao intervalo uma batida “tá”, porém no final, a pausa
é imprescindível. Veja o exemplo:
DUM tákátá tá DUM tá tá tá DUM tákátá tá DUM tá tá (pausa)






"Zaffah" é um ritmo usado na procissão de casamento egípcio. Sua natureza básica é de uma marcha. É usado na procissão de casamento em si e às vezes também para as danças do ventre que lembram desses eventos. (Note que a dança do candelabro relacionadas com "geralmente é feito para uma mais up-beat 2 ou 4 batidas do ritmo - por exemplo, Saidi). Também pode ser chamado de "Murrabba Jaza'ira".








KARSILAMA


Ritmo bastante conhecido na Turquia e Grécia . É
utilizado no acompanhamento de músicas de natureza folclóricas. Sua
característica marcante se acentua pelas três batidas fortes (T – T – T), no final de cada sequência. Observe:


Notação Gráfica do Karsilama (compasso 9/8 )

DUM tákátá tákáDUM TáTáTá






Ritmos que fazem uso de 3 segmentos são conhecidos como "aqsaaq" - que significa "quebrado" ou "mancar". Este tipo de ritmo faz parte de um grupo de músicas tradicionais do Oriente Médio. O termo "aqsaaq" é usado por músicos turcos (e outros) para descrever uma variedade de ritmos contados em grupos de 2s e 3s que não são os mesmos. Os ritmos Aqsaaq não se encaixam bem as nossas tradições ocidentais de medidas fracionadas - tocar corretamente é mais que a montagem do fraseado e timing da música de uma estrutura matemática.

Vários dos ritmos mencionados foram aqsaaq, incluindo "samaa'ii thaqiil"

Karsilama significa "cara-a-cara" em turco. Este ritmo de 9 batidas é popular na dança do ventre e é também usado em canções folclóricas turcas e gregas (por exemplo: "Rompi Rompi", "Mastika") e do jazz moderno "turco". Este ritmo aqsaaq 9 batidas é tão popular que é por vezes simplesmente chamado de "aqsaaq".












SOUDI


"Mais uma vez peço licença a vcs e ao Mestre Hiar para expor meu conceito. A palavra KHALEEGE, como muitos sabem, significa "golfo". É um termo muito usado para classificar QUALQUER COISA oriunda do Golfo Pérsico. Os países do Golfo Pérsico são Omã, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Qatar, Bahrein, Kuwait, Iraque, e Irã.


Praticamente tudo nessa região tem Khaleege no nome: Ruas, redes de TV, rádios...


As 2 danças folclóricas principais são o RAKS AL NASHA'AR e o YAWALAH. Ambos são popularmente conhecidos por nós como KHALEEGE e KHALEEGE MASCULINO.


O ritmo dessas danças é o SOUDI. Por isso discordo de algumas afirmativas do mestre Hiar, porém com todo respeito, manterei intactas suas palavras. Algumas informações e fontes de referência todos poderão encontrar também no tópico de danças"


O ritmo Saudita também é conhecido pelo nome de Khaleegy, recebendo essas duas denominações na Região Geográfica do Golfo Pérsico, fronteira com o Reino na Árabia Saudita. Trata-se de um ritmo bastante simples, apresentando 2 DUMs na sua forma estrutural. Deste ritmo nascera folcloricamente a Dança do Khaleegy ou Dança do Golfo.


Notação Gráfica do Saudi/ Khaleegy (compasso 2/4)


DUMkákáDUMkákáTáká... (Sequência sem intervalos)


DUMkákáDUMkákáTÁká... (Inserção da batida “TÁ”)


DUM Ká DUM kátáká... ( Representação com intervalos curtos).






Hoje em dia o khaliji é executado freqüentemente com música popular moderna.

Há, porém, um ritmo tradicional específico e muito distinto, o ritmo adani do Iêmen, que os músicos ocidentais chamaram de saudi ou saudita ou de khaliji, hipnótico com andamento 2/4 (pausa 1+2) com duas batidas pesadas e uma pausa, caracterizado pelo toque sincopado do tabel e pela música tradicional com o alaúde.

Hossam Ramzy, percussionista egípcio, certifica que não existe somente um ritmo chamado khaliji. Os ritmos da área do Golfo são centenas. Todos são chamados de khaliji. A maioria dos ritmos desta área sofreram fortes influências, principalmente das tribos do deserto, das rotas da seda, dos temperos e do comércio de escravos da África Central, que normalmente levava vários ritmos com ela. A velocidade do ritmo varia de tribo para tribo e também de acordo com a emoção própria da canção.

(Acho q isso explica um pouco o porquê ao meu kestionamento quanto a afirmativa do Mestre Hiar.)



NAWWARI


Pode-se dizer que o Nawwari é um ritmo Sírio-Libanes, uma vez que é bastante conhecido e utilizado em danças nos paises da Síria e Líbano.


Nawwari ( compasso 4/4 )
KáDUM kákáTá DUM kákáTá káTá....





Link para ouvir o ritmo em MIDI:





ALGUMAS CONSIDERAÇÕES ADICIONAIS:
Nawari é o nome de um dos dialetos de um povo itinerante do Oriente Médio, mais precisamente Siria, Cisjordânia, Faixa de Gaza e Israel. São Povo Dom, que dever ter migrado para a região nos tempos bizantinos. Como é característico, eles procuram se manter a parte do resto da população local.
O dialeto Nawari faz parte do grupo linguista denominado Domari.



Eles têm uma rica tradição oral e expressam sua cultura e história através da música, poesia e dança. Considerou-se que eles são um ramo do povo cigano, mas estudos da linguagem Domari sugerem que partiram do subcontinente indiano, provavelmente por volta do século 6.































BASIIT E BTAYHI

O basiit apresenta em sua forma grande similaridade com o ritmo bolero ou rumba, porém em 6 tempos:
Basiit (compasso 6/4)

DUM ká DUM tákáTá ká tá ká DUM ká tá ká...

.
Link ritmo Basii MIDI: http://www.khafif.com/rhy/rhygen.cgi?rhythm=D-_TD-T-T-TkT-TkT-____T-&title=basiiT-2&back=rhythm.html%23basiiT-2
.
Suspeita-se que o ritmo Basii em algum lugar do passado distante, na mistura de tradição árabe e os ritmos latinos (afro-latino). É um dos ritmos do Marrocos.


Observemos agora q o ritmo Btayhi, cuja estrutura apresenta quase que uma contante de toque alternativamente iguais:
Btayhi (compasso 8/4)

Tá ká Tá ká DUM tákáTá ká tá ká DUM ká Tá ká DUM ká...










A música Magrebe (Marrocos, Tunísia) e Andaluzia têm sido afetada por influências árabes. O ritmo flamenco cresceu sobre as tradições árabes e o nuba é em primeiro lugar "andaluz", embora seja uma das músicas tradicionais de parte do norte da África.









CURIOSIDADES ADICIONAIS:


Basiit (em árabe: بسيط) ou al-Basiit (البسيط), é um medidor de compostos utilizados na poesia árabe clássica. A palavra significa literalmente "extensor" em árabe. A forma métrica é a seguinte (letra L representam uma sílaba longa e S representa uma sílaba breve):


L L L S | S L L L L | S L L | S | L
L L L S | S L L L L | S L L | S | L



Muitas vezes é usado junto com um outro medidor chamado Tawil (طويل).


O termo também é usado em um contexto musical; no nubah Andalusi, ou suites clássica de Marrocos, cada nubah, ou suite, está dividida em cinco movimentos principais (chamados Mizan (ميزان; mawāzīn: plural, موازين)) cada um dos quais usa um ritmo diferente, como segue:


Basiit (04/06)
Qaim wa nusf (04/08)
Btāyhī (04/08)
Darj (04/04)
Quddām (04/03 ou 08/06)



Mawazine ("Rhythms") é um festival de música do mundo que acontece anualmente na capital marroquina, Rabat, com ícones da música árabe e internacional. Houve oito Mawazines, com o nono prevista para ocorrer de 21 a 29 de maio de 2010. Elton John e Sting são titulos entre os mais de 1.500 apresentações durante o festival de 10 dias através de vários palcos dentro da cidade de Rabat.


O festival Mawazine, criado em 2001 para impulsionar o turismo e promover a Rabat como uma cidade aberta ao mundo, é uma das principais encontros culturais em Marrocos, com espectáculos de rua, uma exposição de artistas árabes e de eventos para crianças, para além dos concertos.












COCEK E SERTO

Na antiga Macedônia, hoje região onde se localiza a Romênia, "cocek" é a sua denominação. Já na Grécia é conhecido pela denominação de "Serto", onde é usado em danças folclóricas.


Notação Grafica do Cocek / Serto (compasso 4/4)

DUM tátá táTátá......






Cocek é um gênero musical e dança que emergiu nos Balcãs, durante o século 19. Resultante de bandas militares otomanas que estavam na região, em toda a Bulgária, Macedônia, Sérvia e Roménia. Isso levou à segmentação e uma vasta gama de sub-estilos étnicos / tendências cocek. Cocek foi transmitida de geração em geração, preservada por minorias ciganas e foi amplamente praticada em casamentos e banquets. There aldeia não é uma palavra em Inglês para cocek embora alguns se referem a ele como o bronze cigano. A ortografia cocek "é realmente derivado do sérvio. Macedônios uso chochek. Na Bulgária, é escrito como kyuchek ou kyutchek. Não importa como você encara-lo, é uma das manifestações mais fascinantes da cultura cigana e dos Balcãs. E sim, esta é a música tradicionalmente utilizados para dança do ventre.































JARK


O Jark ou Jerk é um ritmo que apresenta uma estrutura bastante similar ao Samba brasileiro.


Notação Gráfica do Jark (compasso 4/4)


DUM Tá DUMDUM Tá.....


"Jerk" é um ritmo moderno Nubian inspirado por uma dança com o mesmo nome. (Similar ao Samba) Nas canções egípcias (por exemplo, Wi Fi Yom Leyla) ouve-se a dupla Dums muito próximas entre si - embora Souhail Kaspar (um professor Libanes na Califórnia) ensina a versão menos sincopado.


Link do Jark em MIDI: http://www.khafif.com/rhy/rhygen.cgi?rhythm=D---T---DD--T---&title=jerk/jaark/sherk-2&back=rhythm.html%23jerk/jaark/sherk-2























SOMBATI


Famoso Ritmo também extraído da essência do Maqsoum. Curiosamente vemos o Sombati ser executado por grandes orquestras ocidentais, em composições relacionadas ao mundo árabe. Podemos citar como um bom exemplo, a tema do filme Lawrence da Arábia onde se observa nitidamente o Sombati usado como ritmo base. Outra curiosidade interessante é este ritmo representar o trote de um cavalo em ritmo de marcha.










Nas canções típicas árabes, é utilizado no
acompanhamento de Tacksim ( improvisação) intrumental ou vocal.




Sombati (compasso 4/4)


DUM Tá Tá DUM Tá......( simples )

DUM káTákáTá DUM kákáTá táká......(alternada)



























MALFUF / LEFF


O Malfuf também é um ritmo bastante conhecido e comum no Líbano e possui estreita ligação com os ritmos Cocek/Serto e Saudi. Ritmo bastante utilizado na Dança do Ventre tradicional. Leff é sua segunda denominação.


Malfuf ( compasso 2/4 )


DUM kákáTá kákáTá.....



























MASMOUDI


O Masmoudi, ritmo basicamente egipcio, é a ligação de duas frases de 4 batidas cada. Trata-se de um ritmo bastante utilizado na Dança do Ventre.


Curiosamente, temos o Masmoudi Kebir e o Masmoudi Saghir, que nada mais é do que o ritmo Baladi com frase ampliada, possuindo compasso 4/4.


O Masmoudi Kebir (grande) é o também denominado Masmoudi de guerra, tocado semelhantemente a uma marcha
e possui compasso 8/4


Notação gráfica do Masmoudi Kebir:

DUM DUM tákátákáTá DUM tákátákáTá tákátáká Tátáká........









A distinção entre o Masmoudi Kebir e o Masmoudi Saghir é bastante clara. Muitos percussionistas unem o Baladi (pequeno Masmoudi) e o Masmoudi Saghir em suas explicações.

Abaixo, vemos as possíveís variações do Masmoudi.

Masmoudi ( compasso 8/4)
DUM DUM tákátákáTá DUM tákátákáTá tákátákáTá táká........

DUM DUM tákátákáTá ká DUM tákátákáTá tákátákáTá ká.......

DUM DUM tákátá Tá DUM tákátá Tá tákátá Tá.......

DUMkátákáDUMkátákátákátákáTákátákáDUMkátákátákáTátátákát
ákáTá..

DUM DUM tákátákáTá tákáDUM tákátákátá tákátákáTá táká....

DUM DUM DUM Tá DUM Tá Tá.....

DUM DUM DUM tákáTá DUM tákátákáTá tákátákáTá....



Masmoudi é bastante comum na música de dança do ventre - historicamente eles também são usados em muwashashat - são de percussão particularmente intensa e fazem um ritmo bastante conveniente e facilmente reconhecível em que um bailarino pode acentuar uma dança.

Isso, é na sua essência o mesmo ritmo que maqsum mas é cheio com 8 tempos em vez de 4 e tocado de forma mais lenta. De um modo geral é o som Masmoudi (kabiir) e maqsums rápido e ágil (khafiif).

Há algumas evidências de que os ritmos Masmoudi foram utilizados na música muwashahat e têm uma base mais músical do que a arte maqsum que atualmente é encontrada em um monte de canções folclóricas.



OBS.: Muwashshah

Muwashshah ou muwaššah ( árabe : موشح, literalmente "aneladas"; موشحات muwāshshahāt plural ou تواشيح tawāshīh) é uma forma poética árabe, bem como um gênero musical secular da parte ocidental do mundo árabe, usando textos muwaššah como letras. A forma poética é também utilizada em Andaluz nubia, da mesma forma originária de Al-Andalus (Espanha muçulmana). É um poema escrito multi-revestido em verso árabe clássico, geralmente composto de cinco estrofes. Era costume abrir com uma ou duas linhas, que correspondiam à segunda parte do poema em rima e métrica.

Musicalmente, o conjunto é composto de oud (alaúde), kamanja (violino espiga), Qanun (cítara de caixa), darabukkah (Darbuka) e DAF (pandeiro), todos os quais executados frequentemente como coral. O solista executa apenas algumas linhas escolhidas do texto selecionado.





















FALLAHI


O Fallahi nada mais é do que o Maqsoun acelerado.
Curiosamente este ritmo é muito frequente no alto Egito. O Falahi é uma
versão popular e é utilizado frequentenmente em danças típicas.


Notação gráfica do Fallahi (compasso 2/4)


DUMtákátáDUMkátáká

















CONSIDERAÇÕES FINAIS


Abordamos aqui no tópico os principais ritmos em dança, mas eles não se resumem a esses que nós humildemente procuramos explanar. Na verdade são centenas deles, de acordo com cada país. Vamos relacionar aqui outros ritmos, de acordo com seus países de origem:


* TUNÍSIA
- basiiT
- bTaa'iHii
- qayIm wa niSf
- quddaam
- inSiraaf
- khlaS ou makhlaS
- sha'bia


* PERSIA
- awfar
- mukhammas
(Sufi)
- Daem
- Garyan
- Haddadi
- HalGerten
- HayAllah
- HayAllahAllah
- Maddahi
- Saghghezi
- ZekrEDovvom


* BALCANS
- dajchovo
- grantchasko
- sandasko
- sedi donka
- rachenitsa
- lesnoto
- pravo
- triti puti
- neda voda


* YEMEN
- das'a kabir
- das'a mutawassit
- das'a saghir
- Darb al-wasta
- Darb as-sari'
- adoni


E por aí vai... Apenas para conhecimento geral.


E NÃO PARA POR AÍ!


Fica aqui o convite a todos pesquisarem esses outros ritmos, conhecer sua estória e folclore. Pode ser divertido pra quem tem espírito investigativo e curiosidade suficiente pra saber sempre um pouco mais.


BONS ESTUDOS A TODOS!



FONTES:
http://en.wikipedia.org/wiki/Zaffa
Curso Prático de Tabla Árabe 2004 - Vitor Abud Hiar

http://www.khafif.com/rhy/rhythm.html#bayou-3
 Apostila do Workshop de Ritmos da Profª Daniela Fernandes & Músico Vitor Cazé
http://www.webartigos.com/articles/18662/1/Raks-Khaliji---Evolucao-historica-de-uma-danca-folclorica/pagina1.html#ixzz0uxGbZOv9
www.hossamramzy.com

Commins, David Dean. Historical Dictionary of Syria , Scarecrow Press
Berland, Joseph C. , Aparna Rao Customary strangers: new perspectives on peripatetic peoples in the Middle East, Africa, and Asia
The Sinday Times - may 25, 2009
http://cocek.com
Corriente, Federico (1997). Poesía dialectal árabe y romance en Alandalús: cejeles y xarajat de muwassahat. Madrid: Gredos
Zwartjes, Otto & Heijkoop, Henk (2004). Muwassah, zajal, kharja: bibliography of eleven centuries of strophic poetry and music from al-Andalus and their influence on East and West. Leiden-Boston: Brill